Luciana Genro

Em reunião com trabalhadores da saúde, Luciana Genro defende imposto sobre grandes fortunas para financiar o setor

11 de julho de 2014 21h05

Por Redação #Equipe50

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, dedicou esta sexta-feira ao cumprimento de agendas no Rio Grande do Sul. Após visitar a sede do Grupo Sinos, às 14h, na cidade de Novo Hamburgo, Luciana realizou uma visita à Associação de Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC), às 17h, em Porto Alegre.

Valmor Guedes e Roberto Robaina e Luciana Genro

Crédito: Divulgação PSOL

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) é a maior instituição de saúde pública da Capital gaúcha e compreende três hospitais: o Hospital Conceição, o Hospital Fêmina e o Hospital Cristo Redendor. Vinculado ao governo federal, o GHC possui um histórico de problemas que foram relatados à candidata por seus trabalhadores.

Os servidores denunciam que a instituição opera a partir de uma lógica de aparelhamento político por parte do governo federal, que privilegia a concessão de altos salários para os cargos de chefia e a terceirização de setores fundamentais para a saúde pública, como limpeza e higienização. “Hoje, o partido que ganha a eleição tem o GHC como espaço de reserva para disputa entre as alianças”, critica Valmor Guedes, presidente d ASERGHC.

Ele informa que o Hospital Conceição gasta cerca de R$ 9 milhões por ano com o pagamento de salário para 23 cargos de chefia, enquanto 279 servidores representam um custo de R$ 7 milhões na folha. “Há uma distorção na remuneração entre quem faz o dia a dia do hospital e aqueles cargos de pessoas que ocupam pouca parte do seu tempo diário no Conceição”, aponta.

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

Luciana Genro, que estava acompanhada do candidato do PSOL ao governo do Rio Grande do Sul, Roberto Robaina, disse que a situação do Grupo Hospitalar Conceição é um reflexo do tratamento nacional que é dado à máquina pública pelo governo atual. “Vocês vivem aqui um microcosmos da política nacional. O setor público está privatizado por interesses de castas que se apropriam destes espaços para transação dos seus próprios interesses, onde os trabalhadores não têm voz ativa”, observou.

A candidata defendeu a proposta de realizar uma “revolução tributária” para taxar as grandes fortunas e “aliviar a tributação sobre o assalariado e a classe média”, incluindo, neste aspecto, a atualização da tabela do Imposto de Renda – algo que não é feito desde o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Luciana Genro lembrou que existe um projeto de sua autoria tramitando no Congresso Nacional que estipula uma alíquota de 0,5% anual sobre fortunas acima de R$ 3 milhões. Contudo, ela assegurou que está disposta a negociar com os parlamentares e possibilitar que a alíquota seja de 5% sobre quem possui fortunas acima dos R$ 50 milhões. A candidata disse que a receita gerada dessa tributação será de R$ 90 bilhões por ano, que é o mesmo valor previsto para ser investido em saúde e em educação neste ano pelo governo federal.

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

Luciana encerrou seu pronunciamento reafirmando o compromisso com a luta e as reivindicações dos trabalhadores da saúde. “Queremos dizer a vocês que a nossa campanha eleitoral está à disposição para colaborar em dar visibilidade a esses problemas. A campanha é um momento em que podemos empoderar vocês, fazendo com que esses problemas venham à luz”, salientou.

Roberto Robaina, que estava acompanhado da candidata a vice-governadora do Rio Grande do Sul pelo PSOL, Gabi Tolotti, destacou a importância das manifestações de junho de 2013 para a área da saúde, já que um dos bordões gritados nas ruas exigia uma “saúde padrão FIFA”. “O povo tem lutado muito, tem havido muita resistência. E junho foi uma luz neste sentido”, disse.