Luciana Genro

O 1º dia na Grécia

17 de maio de 2012 09h54

No meu primeiro dia na Grécia tive a oportunidade de fazer uma saudação em nome do PSOL para os membros do Secretariado da Direção Nacional da Syriza, e também de conversar longamente com o companheiro Constantinos Issychos, membro do secretariado e responsável pelos contatos internacionais. Ele me falou do entusiasmo de todos com o resultado eleitoral, relatando que não foi tão surpreendente para eles como foi para o resto do país e do mundo, pois o crescimento da Syriza foi consistente e trabalhoso.

Na saudação, eu disse que para nós do PSOL o exemplo da Syriza é muito importante, pois demonstra que um partido coerente, que não cede aos interesses dos bancos e defende de forma radical os interesses do povo, também pode ser um partido viável eleitoralmente. Ser radical não significa ficar isolado e não disputar o poder. Ser radical significa enfrentar os problemas que afligem o povo pela raiz, isto é, enfrentar a burguesia imperialista e o capital financeiro e disputar o poder de todas as formas possíveis, através da mobilização de massas e das eleições. Esse é o exemplo da Syriza que nós do PSOL seguimos com convicção.

Para quem não sabe, Syriza significa Coalizão da Esquerda Radical, e foi criada pelo Synaspismos, o principal partido que compõe a aliança. Eles são um fenômeno bastante parecido com o PSOL pois os grupos que compõe a Syriza são grupos marxistas revolucionários, muitos oriundo do velho Partido Comunista, cuja tradição de luta remonta a resistência à ocupação nazista. Há também um grupo novo, oriundo do PASOK, o Partido Socialista, que aderiu ao modelo neoliberal, fenômeno parecido com o do PT. Uma parte significativa do PASOK rompeu com este partido e veio para a Syriza, compondo uma aliança eleitoral e programática cujo nome – Frente Social Unida – complementa o nome da Syriza.

Até há pouco tempo a Syriza era um partido de 4% nas eleições, com trabalho forte na juventude, operariado e serviço público. Com a brutal crise econômica, as camadas médias se descolaram do PASOK e da Nova Democracia, votando na Syriza e fazendo do partido a segunda maior força política da Grécia.

 As eleições ocorreram novamente no mês de junho, pois nenhum partido conquistou 50% mais 1 do parlamento. Syriza, que obteve mais de 16% é o favorito para ganhar, pois tornou-se a referência política anti-ajuste. Mas além de entusiasmados com a situação política aberta, os companheiros também estão preocupados, pois a campanha da mídia burguesa e da burguesia européia está sendo muito forte contra o partido. O jogo é fazer terrorismo: se o Syriza ganhar, a Grécia sai do Euro e o povo perde tudo. O desemprego entre os jovens já chega a 52% e a emigração é tão alta como no pós-guerra. Desta vez quem vai embora da Grécia são os cientistas, médicos, intelectuais, a elite pensante que busca oportunidades em outros países pois não tem perspectiva no seu próprio.

 Amanhã conto mais!