Luciana Genro

Luciana Genro representa PSOL na Grécia

14 de maio de 2012 11h05

Estou embarcando hoje para uma viagem muito especial. Irei a Atenas, Grécia, para levar ao Syriza, Coalizão da Esquerda Radical, o apoio e entusiasmo do PSOL pela luta do partido junto povo Grego contra o brutal ajuste imposto pela união Européia.O Syriza, que consideramos um partido irmão do PSOL, obteve um desempenho extraordinário nas eleições parlamentares do domingo, dia 6 de maio, obtendo 16,7% dos votos e 52 deputados, tornando-se a segunda força política grega. A imprensa européia é unânime em apontar o Syriza como o grande vencedor das eleições. Chamado de “a estrela emergente da esquerda” pelo jornal El País, Alexis Tsipras,principal líder do Syriza, tornou-se o porta voz da indignação popular frente à terrível crise econômica que atravessa o país, e cujo custo está sendo despejados nas costas dos trabalhadores, servidores públicos e aposentados. Ataques brutais que tem como objetivo garantir os interesses do capital financeiro, que exige cortes nos gastos públicos para seguir cobrando os juros da dívida.

O grande derrotado das eleições foi o Partido Socialista, o Pasok, que amarrou a Grécia ao acordo de ajuste com a União Européia, chamado de Memorandum. O Pasok, uma versão européia do PT, desabou de 160 deputados para apenas 41. A imensa maioria do eleitorado manifestou seu repúdio às políticas impostas pela União Européia e seus agentes na Grécia. O conservador Nova Democracia ficou em primeiro lugar, mas sem condições de formar um governo.

A Grécia é parlamentarista, portanto para governar o partido tem que ter uma coalizão que lhe garanta maioria. Pelas regras, o partido que fica em primeiro lugar ganha um “bônus” de 50 deputados, para tentar formar um governo, mas mesmo assim o Nova Democracia não conseguiu. Coube, então, ao Syriza tentar formar maioria. Não conseguiu, pois o Partido Comunista recusou-se a compor um governo com o Syriza, cujo chamado foi de combate frontal ao ajuste, denunciando as metas de demissão de 150 mil empregados públicos – o desemprego na Grécia já está em 22% – e de redução dos salários, pensões e aposentadorias.

O impasse grego é evidente: o povo deu um claro recado através das urnas, de que não vai mais aceitar sacrifícios para salvar bancos e especuladores. Há um vazio de poder, e é provável que novas eleições sejam convocadas ainda em junho. Como duas semanas antes das eleições as pesquisas são proibidas, na última eleição ninguém sabia qual seria o resultado e qual dos partidos contra o ajuste teria mais força. Muitos votos que foram para outros partidos anti- ajuste deverão vir para o Syriza, que pode até ganhar, pois se credenciou como a alternativa aos sacrifícios impostos ao povo para salvar o capital financeiro. Enquanto aqui no Brasil a ex- esquerda representada pelo PT , para justificar a sua capitulação e covardia, diz que é um sonho impossível construir um governo que enfrente os interesses do capital, o Syriza mostra o caminho. Como escreveu Leandro Konder , “ uma época não só sonha a época que virá depois mas se esforça, sonhando, para despertar”. A Grécia está despertando. Vamos acompanhar de perto!

Luciana Genro