Luciana Genro

Grécia à venda

07 de julho de 2011 14h16

O Jornal Estado de São Paulo mostra que a Grécia perderá completamente a sua soberania e será obrigada a privatizar massivamente seu patrimônio público, para viabilizar o pagamento da dívida. Conforme diz o jornal, “autoridades europeias deixaram claro que a intervenção sobre a Grécia será total e que Atenas será tratada de forma equivalente ao que a Alemanha Oriental passou quando o comunismo caiu e a região integrou-se à Alemanha Ocidental há 20 anos.” Serão vendidos 39 aeroportos, 850 portos, linhas férreas, estradas, sistemas de esgoto, duas empresas de energia, bancos, milhares de hectares de terras, cassino, a loteria nacional e até o estádio olímpico.

Segundo o presidente da zona do euro, Jean Claude Juncker, “A soberania grega será massivamente limitada”, e “os gregos devem se preparar para ver estrangeiros tomar decisões sobre o futuro de sua economia, principalmente no programa de privatização que tem como meta arrecadar 50 bilhões até 2015 com a venda de ativos e empresas.” Ainda segundo Juncker, “especialistas estrangeiros serão enviados para Atenas para liderar a venda dos ativos do Estado”.

Neste processo, a grande imprensa não mostra a grande contradição das autoridades financeiras mundiais: quando são os bancos que vão à falência, imediatamente – e sem nenhum condicionamento – os bancos centrais liberam trilhões a juros módicos para salvar o setor financeiro privado, às custas da emissão de mais títulos da dívida pública, que são adquiridos pelos próprios bancos que foram salvos. Ou seja: como num passe de mágica, bancos falidos passam a ser credores do Estado.

Porém, quando é o estado grego que entra em dificuldades – devido à especulação do mercado financeiro, que colocou os juros nas alturas, empurrando a Grécia para fechar este “acordo” com o FMI e a União Européia – é obrigada a vender todo o seu patrimônio, retirar direitos dos trabalhadores, cortar gastos sociais e entregar sua soberania.

Mais uma vez, percebe-se nitidamente como a dívida pública é um instrumento de violação completa da soberania nacional.

Fonte /www.divida-auditoriacidada.org.br