Luciana Genro

Simon: “Não há como condenar-te à clausura política”

08 de dezembro de 2010 07h36

“Minha querida amiga e companheira Luciana,

Eu te conheço desde as primeiras palavras. E, pelo que te conheço, são palavras que jamais poderão ser caladas. Palavras que, quando ouço, encanta-me a certeza de que tudo valeu a pena. Valeu a pena enfrentar os grilhões da repressão. Valeu a pena empenhar a vida pelas liberdades democráticas. Valeu a pena lutar pela ética na política. Valeu a pena sonhar.

Triste contradição. A vontade soberana do povo do Rio Grande do Sul, que deu a vitória ao teu pai, o mesmo que te ensinou as primeiras palavras e te transmitiu a arte de fazer política, não pode tolher a voz que, desde tão cedo, sempre foi um brado pelos direitos mais fundamentais do povo gaúcho e brasileiro.

Foi essa mesma vontade que se materializou na votação que também tiveste nas últimas eleições. Aí, foste calada por uma lei que premia os conchavos, em detrimento do desejo democrático das urnas. Tiveste votos próprios, teus, vontade sincera de quase 130 mil gaúchos. Não há como condenar-te à clausura política. Portanto, Luciana, és o exemplo mais que fiel de que nem sempre é legítimo dizer “pare, em nome da lei”. Porque essa lei é a mesma que faz com que, dos 513 Deputados Federais que tomarão posse, apenas 35 não contaram com os desvãos da legislação, ainda que, em muitos casos, sabe-se Deus a que “tenebrosas transações”.

Lutamos tanto tempo juntos para proibir que se submetam à vontade das urnas quem tem, comprovadamente, ficha suja. Não podemos permitir, agora, a contradição de que essas mesmas urnas submetam ao silêncio alguém que, ao contrário, sempre teve ficha limpa. Mais do que isso, alguém que sempre honrou a vontade do eleitor.

Não será mais a mesma a Câmara dos Deputados, a partir do próximo ano, sem a sua voz, as tuas palavras nunca caladas, com essa força e esse sotaque inconfundíveis. Por pouco tempo, eu tenho certeza. Somente enquanto o tempo não recuperar a senhoria da razão. E o próximo passo para esse resgate do melhor juízo passará, eu também estou certo, pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em 2012.

Eu estarei ao teu lado, de maneira incondicional, não importarão as dificuldades, nessa travessia que te levará, de volta, para onde não devias sair, porque é essa a vontade dos gaúchos. Sempre que te parecer importante o meu testemunho, nada mais farei do que recorrer à verdade, porque é essa verdade que também sempre iluminou a tua conduta política. A verdade que o calor dos anos me ensinou a te transmitir. A verdade que contigo também aprendi.

Portanto, Luciana, coloque-me neste plural que, em coro, brada por justiça.  Todos nós, unidos pelos mesmos ideais, de um país justo, fraterno, democrático e soberano, e de uma política nos trilhos da verdadeira ética, temos certeza de que a Justiça não faltará. Porque a Justiça nunca pode faltar, se a Democracia permite!

Um abraço fraterno e solidário,

Senador Pedro Simon