Luciana Genro

Anticapitalistas europeus unem-se contra crise

17 de junho de 2010 08h05

Paris, 15 de junho – Vários membros de partidos anticapitalistas europeus, entre eles, Olivier Besancenot (NPA), se reuniram nesta terça-feira para “dar fé das resistências” aos planos de austeridade dos governos da UE, com a ideia de creir uma “esquerda anticapitalista europeia”. “Se quer avançar na construçã de uma esquerda anticapitalista europeia”, declarou à imprensa Besancenot antes de um encontro anticapitalista europeu em La Mutualité, que reunia outros seis dirigentes europeus. Uma nova conferência desses partidos pode ocorrer em setembro ou outubro, com o objetivo de tornar “mais visível” a futura formação com, em particular, “campanhas comuns sobre os salários, os serviços públicos, a divisão das riquezas”, inclusive com um símbolo ou até um porta-voz comuns.

O encontro de terça-feira estava destinado a “testemunhar sobre as resistências e mobilizações em relaçã aos diferentes planos de austeridade” e a mostrar que uma “esquerda de resistência anticapitalista faz proposições” em toda a Europa, disse Anne Leclerc (NPA).

Antes do encontro, Tassos Anastasios, da coalizão grega Antarsya, fustigou o governo Papandreu, que havia “prometido aumentos salariais superiores à inflação” durante sua campanha e hoje “bloqueia e baixa os salários”.

Miguel Urban (Izquierda Anticapitalista) ironizou sobre o governo espanhol (PSOE) “que continua se denominando socialista e operário, quando propõe reformas drásticas”.

“Não temos que pagar por esta crise”, “é preciso apontar os verdadeiros culpadoes”, não “bodes expiatórios, como os trabalhadores imigrantes”, afirmou Chris Bambery (SWP inglês). E “não permitir aos rentistas atacar as classes trabalhadoras”, acrescentou Joe Higgin (eurodeputado irlandês), que chama uma semana de mobilização, de 21 a 28 de junho.

Para Andrej Hunko (deputado de Die Linke, na Alemanha), se trata de “organizar as resistências e reconstruir a equerda”.

Todos disseram que esperam uma “greve geral” pelo final de setembro em toda a Europa. Mas “isso não está decretado”, é uma proposição que se levará aos fóros, às reuniões, que seria uma “verdadeira novidade”, segundo Besancenot, que quer mostrar que os anticapitalistas “têm soluções alternativas para a construção de uma Europa diferente”.


Fonte: AFP