Luciana Genro

Pedro Ruas defende auditoria da dívida pública do RS

07 de abril de 2010 10h54

Na série de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, a Rádio Gaúcha ouviu nesta quarta-feira, 7, o postulante do PSOL, vereador Pedro Ruas. Antes de falar sobre suas propostas para o Estado, o líder da oposição na Câmara Municipal de Porto Alegre foi questionado sobre a busca da última assinatura para instalar a CPI da Saúde, que investigaria os desvios de R$ 9,6 milhões da pasta gerida pelo secretário Eliseu Santos, assassinato recentemente. Ruas se mostrou confiantes de terá as 12 assinaturas necessárias, devido aos novos fatos revelados nesta semana pelo Ministério Público Estadual. Lembrou que a investigação irá além da saúde dos porto-alegrenses, já que os procuradores revelaram que a empresa Reação, encarregada de fazer a segurança nos postos, contratava bandidos para essa função.

“Não pode mais se sustentar essa vontade da base do governo de barra a CPI. Não é possível que a opinião pública não sensibilize parte da base ou o próprio governo, porque os inocentes, que são a maioria dentro do Executivo, vão cobram isso, pois acabam pagando junto com os verdadeiros culpados quando não há investigação. Hoje, a população pensa que na Secretaria da Saúde tá todo mundo envolvido”, declarou.

Ao responder sobre o papel do PSOL na eleição, Ruas afirmou que seu programa tem dois eixos principais: o combate à corrupção e a discussão sobre a dívida pública estadual, que consome 18% da receita mensal do Rio Grande. “Nenhum candidato – e esse é um desafio que eu faço aqui no ar – sabe exatamente o que integra essa dívida, do que ela é composta, que parte são os juros, que parte teve compensação, onde foi gasto esse valor. Essa questão tem que ser discutida, porque são 18%, só com isso já dá pra fazer quase tudo no Estado. Eu quero auditar profundamente essa dívida, e tenho convicção de quem com isso ela diminui muito – muito, mesmo – em relação à União.”

Em relação ao título de “franco-atirador” que vem lhe sendo dado pela imprensa, devido às denúncias contundentes contra a governadora Yeda Crusius e o prefeito José Fogaça, também pré-candidato, Ruas ponderou que ele pode ser interpretado de várias maneiras. “No PSOL, não vemos a candidatura assim. Estamos disputando para levar à sociedade um outro projeto. Mas existem essas situações, como os desvios da saúde na prefeitura, os escândalos de corrupção do governo Yeda, os mensalões do PT, que obviamento vamos colocar para a sociedade refletir e poder fazer essa seleção. Um de nossos papeis será esse: mostrar aquilo que deveria ser visto a olho nu, mas que parece que precisa de um microscópio.”

Pedro Ruas apontou que a candidatura do PSOL, porém, não estará limitada a essas questões. “Discutiremos todos os itens importantes, como saúde, como transporte, como educação, como segurança. Aliás, na educação, queria agregar o seguinte: eu sou um profundo admiradir e propagandista e defensor da escola de turno integral. Ela é imprescindível, um conceiro de Darcy Ribeiro, utilizado de maneira brilhante por Leonel Brizola, e que nós do PSOL temos que colocar em prática.”