Luciana Genro

Cooperativa habitacional abastece esquema de corruptos

08 de março de 2010 07h58

Após quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo obtém informações valiosas sobre os esquemas de desvio de dinheiro dentro do PT – Partido dos Trabalhadores. Desde 2005, o Bancoop – sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo – virou pesadelo para seus associados, pois, criado para entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, deixou pelo estado um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa porque mesmo tendo quitado os imóveis, não os receberam e ainda vêem as prestações se multiplicar.

Os registros de transações bancárias de 2001 a 2008 que chegaram ao promotor revelam que, nas mãos de dirigentes petistas, o Bancoop se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e abastecer campanhas eleitorais. O promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas e a quebra de sigilo bancário daquele que seria o principal responsável pelo esquema da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto, que acaba de ser nomeado tesoureiro do PT. E, como tal, deverá cuidar das finanças da campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Nos extratos bancários, impressiona o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: R$ 31 milhões só na pequena amostragem já analisada. Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República.