Luciana Genro

Médicos cubanos no Haiti: a solidariedade silenciada

10 de fevereiro de 2010 09h47

Tropas norte-americanas, junto com tropas da ONU, teriam expulsado brigadas médicas cubanas de zonas em que prestavam assistência ao povo haitiano

por José Manzaneda, coordenador do cubainformacion.tv

Os cerca de 400 voluntários da brigada médica cubana no Haiti formaram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais.

É que a ajuda de Cuba ao Haiti não chegou apenas com o terremoto. Cuba mantém com o país desde 1998 o Plano Integral de Saúde, pelo qual já passaram mais de 6 mil voluntários cubanos da área da saúde. Horas após a tragédia, ainda em 13 de janeiro, se somaram à brigada cubana 60 especialistas em catástrofes, componentes do Contigente Henry Reeve, que voaram de Cuba com medicamentos, soro, líquidos e alimentos. Os médicos cubanos equiparam seu acampamento como um hospital de campanha, atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de operações em cinco pontos assistenciais de Porto Príncipe. Além disso, cerca de 400 jovens haitianos formados em Medicina em Cuba reforçaram a brigada cubana.

A grande imprensa se calou sobre isso. O jornal El País, em 15 de janeiro, publicou um infográfico sobre ajuda financeira e equipes de resgate em que Cuba nem sequer aparecia entre os 23 Estados que colaboravam. A rede americana Fox News chegou a afirmar que Cuba foi um dos poucos países vizinhos, do Caribe, que não prestaram qualquer ajuda.

Vozes crpiticas no próprios Estados Unidos denunciaram essa desinformação, mesmo que em espaços de difusão bastante limitados.

Sarah Stevens, diretora do Centro pela Democracia nas Américas, disse no blog The Huffington Post: “Se Cuba está disposta a cooperar com os EUA no ar (deixando livre seu espaço aéreo), não devíamos cooperar com o país em iniciativas terrestres que afetam a ambas nações e no interesse conjunto de ajudar o povo haitiano?”

Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e agora vinculado ao Centro pelo Progresso Americano, pediu que o governo Obama “aproveite a experiência de um vizinho como Cuba, que tem alguns dos melhores corpos médicos do mundo, e de quem temos muito a aprender”.

Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado, se propôs a entregar às brigadas médicas cubanas equipamentos médicos com helicópteros militares dos EUA, para que possam chegar a localidades pouco acessíveis no Haiti.

E Steve Clemons, da Fundação Nova América e editor do blog político The Washington Note, afirmou que a colaboração médica entre Cuba e EUA no Haiti poderia gerar a confiança necessária para romper, inclusive, o distanciamento que ocorre nas relações entre os dois países há décadas.

Mas as informações sobre o terremoto no Haiti, provenientes das grandes agências de notícias de corporações midiáticas das grandes potências, parecem mais com uma campanha de propaganda sobre os donativos dos países e cidadãos mais ricos do mundo. Claro que a vulnerabilidade ante à catástrofe, devido à miséria, é repetida uma ou outra vez, mas a verdadeira natureza dos grandes veículos de comunicação é ser gabinete de imagem dos poderosos, convertidos em salvadores do povo haitiano, quando foram, sem dúvidas, os verdadeiros carrascos do Haiti.


Fonte: Secretaria de Relações Internacionais do PSOL, com informações de redportiamerica.com