Luciana Genro

Fernanda denuncia situação do Camelódromo

23 de fevereiro de 2010 13h42

Lojas do Camelódromo estão de portas fechadas

A vereadora Fernanda Melchionna, denunciou na Câmara Municipal de Porto Alegre a situação de constrangimento a que a empresa Verdicom está submetendo os comerciantes do Centro Popular de Compras, o Camelódromo. Além das péssimas condições de trabalho devido à falta de infra-estrutura, entrou com ação de despejo contra os trabalhadores que não conseguem pagar as abusivas taxas.

Em seu discurso, Fernanda afirmou: “As parcerias público-privadas viraram parcerias privada-privadas, sem nenhum tipo de controle social e jogando os trabalhadores e a comunidade ao bel prazer das empresas que foram objetos da parceria. Há um ano, esses trabalhadores vêm se mobilizando e pedindo o apoio e a mediação da Câmara de Vereadores no sentido de buscar uma solução para o seu problema. Todos sabem que os trabalhadores que tinham ponto de ambulantes perto do Mercado Público, e outros tantos, na Rua da Praia, na Voluntários, foram retirados e colocados naquele elefante branco, onde não circula gente. Não circula gente para comprar o produto daqueles que trabalharam 25 anos na rua, vendendo, e sempre se sustentaram. As pessoas ficam 20 dias sem vender um real. Sem dinheiro para botar o pão em casa e, ao mesmo tempo, têm de pagar um aluguel mensal de R$ 500.”

Segundo a vereadora, durante a campanha que o reelegeu prefeito, José Fogaça apontava o Camelódromo como uma solução que traria dignidade para aqueles trabalhadores. No entanto, a solução foi boa para a Verdicom e para a EPTC. A primeira porque cobra o aluguel do local, e a segunda porque transformou a antiga área usada apelos trabalhadores ambulantes em Área Azul, estacionamento pago. Fernanda lembra que “o discurso era para limpar o Centro, mas agora há carros no lugar dos trabalhadores, e os trabalhadores estão morrendo de fome”.

“Nós queremos saber, do prefeito Fogaça, que obra social é essa para dar dignidade para os trabalhadores, que coloca os trabalhadores devendo dois mil, três mil, quatro mil reais ao banco, para poderem pagar um aluguel abusivo para o empreendedor, todo dia sendo humilhados pelas notificações, todo dia morrendo de calor em um lugar que não tem ventilação. Que obra social é essa que tira o pão da mesa do trabalhador, dizendo que ele vai ficar sem emprego com as notificações? Que obra social é essa?”, questiona.


Fonte: fernandapsol.com.br