Luciana Genro

Preparem a avenida para o movimento estudantil passar

01 de dezembro de 2009 13h37

por Rodolfo Mohr

O Diretório Central dos Estudantes da Ufrgs voltou às páginas dos principais jornais. O resultado do seu pleito deste ano elegeu pela ínfima diferença de 35 votos a chapa com estudantes filiados ao PP, PSDB e PMDB. Várias personalidades e ilustres desconhecidos desfiaram inúmeras explicações.

O DCE da Ufrgs, oriundo da Federação de Estudantes da universidade perseguida e fechada pela Ditadura Militar em 1965, tem na sua história a defesa da educação superior pública, gratuita, de qualidade e com referência social. Nossa missão frente ao DCE foi a de corresponder a esta trajetória.

Iniciamos uma revolução democrática no movimento estudantil da Ufrgs. A realização de três Congressos de Estudantes em 2006, 2007 e 2009 trouxe importantes discussões à tona. Adoção das cotas no vestibular, um novo restaurante universitário, sanar a falta de professores, mudanças curriculares, rumos da pesquisa e da extensão, democracia nas eleições para Reitor foram pautas que mobilizaram os discentes.

Estreitamos laços com os Centros e Diretórios Acadêmicos que mensalmente se reúnem, debatem e aprovam as pautas conduzidas pelo DCE, como a luta contra a corrupção. Seja no Piratini ou no Planalto. Em agosto de 2005 fomos às ruas contra o mensalão, em 2009 pelo impeachment da governadora da mansão e dos pufes verdes.

Não negamos nossa história. Assim foi quando estivemos na defesa da criação do sistema de cotas na Ufrgs. A necessidade de inclusão de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas teve na Ufrgs grandes enfrentamentos, a altura do status da instituição que completou 75 anos esta semana.

Sob a bandeira da despartidarização do movimento estudantil esconderam suas faces. A imprensa auxiliou na elucidação de sua verdadeira identidade. O sentimento na Ufrgs é de perplexidade. Os estudantes não desejavam votar no PP, no PMDB e no PSDB para dirigirem o DCE.

A gestão eleita ao proclamar o “fim das passeatas” comete o erro da precipitação e da falta de memória histórica. O DCE da Ufrgs que sobreviveu aos militares, aos infiltrados do DOPS, ao AI-5 e se transformou em um espaço de pensamento livre dos preconceitos conservadores, certamente resistirá. Em breve, voltará a ser a entidade que esteve nas Diretas Já, no Fora Collor e no recente Fora Yeda. Nossa vontade e ânimo redobraram.


*Estudante de Jornalismo da UFRGS, DCE/Ufrgs
gestão 08/09 e militante do PSOL/RS