Luciana Genro

Honduras: “O povo não votou”

02 de dezembro de 2009 09h35

“O povo não votou. Lobos não representa nem um de cada 10 hondurenhos”

Nesta terça-feira, 1º, pudemos falar por telefone com Gilberto Rios, dirigente de Los Necios grupo político com uma grande presença nas universidades, e que é um dos principais líderes da resistência hondurenha. Sua voz não só era muito firme, como ransmitia a alegria de ter obtido uma vitória da resistência.

“Nunca em Honduras a abstenção foi tão grande; mais de 70%, além dos 2% de votos nulos e 3% de votos em branco. Esse resultado é mais gritante ainda, porque foi no meio à coação sistemática que fizeram o aparelho burguês e o exército para que se fosse votar. Os funcionários públicos deviam mostrar seu dedo manchado na segunda-feira [prova de que votaram] ao chegar a seus trabalhos, e o mesmo devia ser feito nas maquiladoras, fábricas de propriedade dos gringos e grandes burgueses. Houve bairros onde o exército, com os caudilhos conservadores e liberais, ia diretamente às casas a procurar os habitantes para irem votar; no sábado, houve dezenas de detidos.”

Como conclusão, Rios diz: “Lobos é o presidente mais minoritário de toda a história de Honduras. Nas condições de coerção que mencionávamos, não foi apoiado nem por um de cada 10 habitantes de Honduras; de maneira nenhuma representa o povo de nosso país (…) O estado de ânimo de triunfo da resistência ficou expresso na caravana que se fez segunda-feira em Tegucigalpa, em que participaram milhares de carros. Foi muito grande e, ao passo da mesma, a gente aplaudia e mostrava seu dedo limpo e blanquito, sinal de que não tinha ido votar.”

Segundo a liderança, “houve uma grande quantidade de perseguições e provocações específicas a alguns dirigentes importantes da resistência”. Perguntamos a ele sobre a situação de Juan Barahona, e nos disse que se encontra muito bem, custodiado, ressaltando que se converteu no líder de massas mais reconhecido do país hoje em dia. “Depois desses cinco meses de intensa mobilização, agora a Frente da Resistência vai entrar num período de estruturação e organização para continuar a luta política e social.”

Isso mostra que a Frente da Resistência converteu-se no principal protagonista, a principal força político-social do país e que o processo hondurenho está longe de ter se fechado com essas eleições. Pelo contrário, entrou agora em uma nova fase.


Pedro Fuentes

Secretário de Relações Internacionais do PSOL