Luciana Genro

Aposentados pressionam deputados; governo quer adiar votação

04 de novembro de 2009 14h42

Cerca de mil aposentados ocupam nesta quarta-feira, 4, as galerias do plenário da Câmara, para pressionar os deputados a aprovar o reajuste do valor das aposentadorias do INSS no mesmo percentual aplicado ao aumento do salário mínimo. Entretanto, o governo decidiu não votar a matéria, que havia sido incluída na pauta de hoje pelo presidente da Casa, Michel Temer.

O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), justificou a estratégia do governo afirmando que o impacto nas contas da Previdência poderá ser de R$ 6 bilhões já no ano que vem, se o projeto for aprovado. A proposta garante a todos os benefícios da Previdência Social o mesmo aumento concedido ao mínimo. A regra beneficia os 8,1 milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo.

Manobras

O governo está na verdade fazendo manobras regimentais para prejudicar os aposentados e que terá de enfrentar o ônus dessa estratégia. Mas Lula terá muito desgaste, porque a Câmara está cheia, com mais de mil aposentados aguardando a votação do PL 1/07.

Luciana Genro também repercutiu o tema no blog: “A desvinculação entre o reajuste do salário minimo e as aposentadorias e pensões aconteceu no governo FHC, quando começou um arrocho brutal aos aposentados que ganham acima de um salário mínimo. O resultado é que o cidadão se aposenta ganhando, por exemplo, cinco salários mínimos, e em poucos anos está ganhando a metade. Na época, o PT foi contra, como foi também contra o fator previdenciário que faz um corte significativo nos valores no momento em que o cidadão se aposenta. Ao longo dos quase oito anos do governo Lula, o PT mudou de lado e passou a defender esses mecanismos perversos. O único petista que segue defendendo o fim do fator e da desvinculação é o senador Paulo Paim. O governo Lula não quer votar as propostas pois tem medo da pressão dos aposentados sobre os parlamentares. Quem vai ousar votar contra às vésperas de um ano eleitoral? O governo vai jogar pesado para impedir a votação.”

Com informações da Agência Câmara