Luciana Genro

PSOL faz manifestação contra golpe em Honduras

29 de setembro de 2009 10h27
Luciana, Robaina e Fernanda (Letícia Heinzelmann)

Luciana, Robaina e Fernanda (Letícia Heinzelmann)

No final da tarde desta segunda-feira, 28, lideranças e militantes do PSOL ocuparam a Esquina Democrática, centro da Capital, como fazem todas as segundas-feiras a fim de prestar contas de seus mandatos. Hoje, porém, a pauta da atividade foi o repúdio ao golpe militar contra o presidente Manuel Zelaya em Honduras. Estiveram presentes a deputada federal Luciana Genro, a vereadora Fernanda Melchionna e o presidente estadual do partido, Roberto Robaina, que enfatizaram que acabou a era de regimes militares na América Latina: “Se esse golpe for bem sucedido em Honduras, crescerá os olhos da direita golpista nos demais países latino-americanos, e isso não podemos permitir”, disse o presidente. Para Fernanda, “a defesa da democracia não pode se restringir às áreas de atuação dos mandatos”. “Nós, que acreditamos no Estado democrático, temos que lutar contra o golpismo, a violência e o autoritarismo em todo o mundo, especialmente na Latino-América.”

Luciana reforçou o discurso de Robaina e Fernanda, e lembrou que o povo gaúcho tem tradição na luta pela legalidade: “Nos anos 60, dos porões do Piratini, o então governador Leonel Brizola conseguiu conter o golpe militar, que infelizmente se concretizaria alguns anos mais tarde, e cujas consequências todos nós conhecemos. Sabemos que os gaúchos fazem uma defesa aguerrida da democracia e da liberdade; da democracia que nos dá o direito de lutar por saúde, lutar por educação, lutar por melhores salários e lutar contra a corrupção, nem que seja com o voto, alcançando maturidade política e não mais votando nos corruptos.”

A parlamentar também elogiou a postura do governo brasileiro no episódio: “Criticamos o PT e o governo Lula quando eles traem os aposentados e se curvam ao FMI, mas temos que reconhecer quando há acertos. E o governo acertou ao aceitar dar abrigo a Zelaya em nossa embaixada, e não podemos permitir o cerco à embaixada, nem ultimatos ou ameaças. Porque essa possibilidade de cortar relações diplomáticas com o Brasil nada mais é que uma ameaça velada de invasão a nossa embaixada”, criticou.

Confira manifesto distribuído pelo PSOL:

“PSOL contra o golpe em Honduras

Nas últimas semanas os olhos do mundo inteiro estão voltados para Honduras. Toda essa repercussão ocorre porque o presidente Manuel Zelaya, eleito democraticamente pelo povo, teve seu mandato interrompido por um golpe militar, sendo inclusive expulso do país.

O ataque à democracia em Honduras está em curso devido ao alinhamento do governo de Zelaya com outros governos na América Latina, como a Venezuela de Hugo Chávez e a Bolívia de Evo Morales. Tais ataques ocorrem pois os governos desses países têm implementado medidas que alteram a histórica correlação de forças em que os mais ricos só ganham enquanto a maioria do povo permanece na miséria.

Na semana passada o Brasil entrou no centro desse debate, quando Zelaya conseguiu retornar para Honduras e foi para a Embaixada Brasileira. Os militares golpistas cercaram nossa embaixada, reprimiram brutalmente as manifestações populares em defesa da democracia e por pouco não invadiram o prédio para deter o presidente.

O PSOL entende que não podemos permitir nenhum ataque a nossa embaixada, o governo brasileiro deve atuar para o restabelecimento da emocracia em Honduras. A resposta ao golpe deve ser exemplar para que novos ataques aos direitos democráticos não venham a ocorrer.

Estamos acompanhando e apoiando o povo hondurenho, enviando representantes do partido para prestar solidariedade e fortalecer o combate aos golpistas.”