Luciana Genro

Presidente da AL acata pedido de impeachment de Yeda

10 de setembro de 2009 11h09

Mais de 20 pontos no processo ligam Yeda Crusius ao esquema que desviou cerca de R$ 40 milhões do Detran, configurando crime de responsabilidade. Agora denúncia vai a Plenário

Crédito: Marco Couto, ALRS

Crédito: Marco Couto, ALRS

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Ivar Pavan, acatou o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius feito pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do RS, alegando crime de responsabilidade enquadrado na Lei Federal nº 1.079/50, artigo 9º, nos itens 3, 4, 6 e 7.

Após analisar os 25 volumes com mais de 6 mil páginas da Ação Civil Pública que tramita na Justiça Federal, foram encontrados pelo menos 26 pontos no processo que vinculam a chefe do Executivo ao esquema que desviou mais de R$ 40 milhões do Detran. A análise foi feita pelo parlamentar junto com a equipe de assessoramento técnico, que analisou documentos e escutas telefônicas reunidas pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Poder Judiciário.

A posição adotada pela Presidência quanto ao envolvimento da governadora se baseia em pelo menos dois eixos: o conhecimento dos fatos relacionados à gestão do Detran e a decisão do modelo e das ações do governo em favorecer o esquema criminoso. Os pontos que vinculam a governadora ao esquema de desvios de recursos foram verificados em escutas telefônicas ainda sob sigilo, depoimentos à Polícia Federal e a sindicâncias da Procuradoria Geral do Estado de membros do governo muito próximos à chefe do Executivo.

Nas escutas realizadas, réus da CPI do Detran referem de maneira direta que a governadora tinha conhecimento dos fatos e relacionam o esquema com o centro do governo. Os dados disponíveis no material recebido da Justiça Federal mostram que pelo menos em três momentos distintos há indícios de que a governadora tinha, pelo menos, conhecimento dos problemas, senão uma participação direta na sua condução.

Diante disso, o presidente do Legislativo solicitará ao plenário que faça o exame aprofundado da situação para dar andamento ao processo de impeachment diante da responsabilidade constitucional do Parlamento de fiscalizar os desvios do Poder Executivo.

“Não há dúvida do esquema criminoso que desviou recursos públicos. E há sérios indícios que relacionam a chefe do Poder Executivo com o processo de corrupção no Detran, além de outras irregularidades que podem caracterizar improbidade administrativa e crime de responsabilidade”, observa Pavan.

O deputado aponta que não se trata de pré-julgamento, mas da responsabilidade do Parlamento diante do seu papel institucional de preservar valores éticos e os critérios da boa gestão pública. “A abertura do processo de impeachment representa o compromisso da Assembleia com o resgate dos princípios republicanos. Não podemos ficar omissos diante da gravidade dessa conduta”.

PSOL entrou com pedido de impeachment em 2008

O PSOL já havia protocolado pedido de impeachment contra a governadora em junho de 2008, diante das denúncias de sua participação na fraude do Detran e da compra de sua mansão, por valor muito inferior ao que a residência era avaliado – e ainda assim superior aos rendimentos da então governadora eleita e seu marido, o professor universitário Carlos Cruius. O requerimento do partido foi arquivado pelo ex-presidente da Assembleia, Alceu Moreira, da situação. Recurso pela sua reabertura tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Ainda assim, o PSOL teve papel fundamental na decisão tomada hoje pelo presidente da AL, levando a público a existência de provas cabais da participação de Yeda em esquemas de corrupção, posteriormente confirmada pelo Ministério Público Federal. O partido também vem realizando uma campanha de abaixo-assinado, que já coletou milhares de assinaturas em defesa da apreciação do impeachment da governadora pela Casa.


Com informações da ALRS