Luciana Genro

Ato do PSOL é reprimido com truculência pelas polícias do Congresso

13 de agosto de 2009 11h27

Manifestantes cobram saída de José Sarney da presidência do Senado

Antonio Jacinto Índio

Antonio Jacinto Índio

Uma manifestação pacífica, organizada pelo PSOL, para cobrar a saída de José Sarney da presidência do Senado terminou em agressões por parte das polícias Militar e Legislativa e duas prisões de militantes do partido. Com uma faixa “Fora Sarney e todos os corruptos”, os manifestantes subiram na marquise das cúpulas do Congresso e cantaram palavras de ordem, cobrando a renúncia de Sarney e a apuração das denúncias.

Os militantes do PSOL foram retirados da marquise do Congresso. Os seguranças confiscaram a faixa, que depois só foi devolvida com a interferência dos parlamentares Ivan Valente, Chico Alencar e José Nery.

Segundo o presidente do PSOL no Distrito Federal, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho, os policiais chegaram sem qualquer forma de diálogo, com cacetetes em punho e aparelhos de choque contra os manifestantes. “Uma polícia sem preparo que agiu com truculência e violência”, definiu Toninho, que também foi atingido na mão por um golpe de cacetete. Ele afirmou que iria registrar queixa nas polícias Legislativa e Civil. “Pode-se roubar no Senado e não se pode manifestar”, disse, indignado.

O líder do PSOL, deputado Ivan Valente, também criticou a atitude das polícias e afirmou que a atuação é de responsabilidade do Senado. “A manifestação deveria acontecer dentro do Senado, mas impediram de entrar. Foi feita do lado de fora e duramente reprimida. Os militantes foram duramente agredidos. Repudiamos esse tipo de atitude.”

Para o deputado Chico Alencar, há uma indignação enorme da sociedade brasileira diante das denúncias envolvendo o senador José Sarney e contra sua permanência na presidência do Senado. “O direito à manifestação é livre. Fui socorrer os manifestantes e recebi um caloroso abraço de um dos seguranças. Há um excesso de zelo ao patrimônio, mas não há o mesmo zelo em relação à postura ética.”

Depois de encerrada a manifestação, dois militantes do PSOL, Rodrigo Pereira, funcionário da Liderança na Câmara, e Isaac da Silva, do gabinete de Alencar, foram detidos pela Polícia Legislativa quando entravam no prédio da Câmara dos Deputados. O argumento dos seguranças foi que eles estavam participando do ato. Ambos foram colocados dentro do camburão da polícia, sendo que um deles chegou a ser algemado, e levados para a unidade da polícia no Senado. Só foram liberados com a chegada e interferência de Alencar e Valente. “Foi uma arbitrariedade, que completou a truculência dos seguranças”, disseram.


Fonte: Liderança do PSOL