Luciana Genro

Heloísa Helena: ‘Sou um poço de ternura’

06 de julho de 2009 10h41

Confira a entrevista da presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, à repórter Sandra Brasil, da revista Veja, publicada na última edição do veículo.

Lailson Santos, Reprodução

Lailson Santos, Reprodução

A vereadora Heloísa Helena (PSOL) responde a um processo na comissão de ética da Câmara de Maceió por ter chamado sua colega Tereza Nelma (PSB) de “porca trapaceira”

“À beira de um ataque de nervos”

A senhora xingou Tereza Nelma?
Eu a chamei de porca trapaceira… Mas o que está por trás disso é outra coisa. Ela quer me atingir porque estou lutando contra a forma como os vereadores de Maceió usam sua verba de gabinete.

Pode explicar melhor?
Os vereadores de Maceió recebem 160 000 reais em dinheiro por mês, gastam e prestam contas depois. Isso é errado.

A senhora a chamou de “porca trapaceira” por causa disso?
Só vou explicar na comissão de ética. Mas ela ficou brava porque, logo depois que a chamei de porca, apareceu a gripe suína em Maceió. Agora, o povo fica de brincadeira com ela.

O que o povo diz?
Que foi ela que trouxe a doença. Os produtores de porco também reclamaram. Pediram para que eu não chame mais ninguém assim, porque os porquinhos cor-de-rosa são bonitinhos.

Mas “porca trapaceira” é pesado.
Sei que não fica bem chamar ninguém assim. Mas, na essência, eu sou um poço de ternura. Só viro um caldeirão de fervura, uma onça, quando sou atacada pelas costas.

O que é pior: a Câmara de Maceió ou o Senado?
A podridão é generalizada, meu amor. Na política, só quem é bandido não fica estressado nem à beira de um ataque de nervos, como eu.