Luciana Genro

Protógenes: ‘Sintomas de desgoverno são sinais de corrupção’

02 de junho de 2009 15h23
Delegado falou à imprensa (Hugo Scotte)

Delegado falou à imprensa (Hugo Scotte)

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz chegou ao Rio Grande no Sul ontem, 1º, para realizar uma palestra para cerca de mil pessoas em Lajeado, a convite da OAB – Ordem dos Advogados no Brasil. Nesta terça-feira, 2, em Porto Alegre, ele se encontrou com a deputada federal Luciana Genro, os vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna e o presidente estadual do PSOL, Roberto Robaina, para dar continuidade a uma luta comum: o combate à corrupção.

Robaina saudou o delegado dizendo que o partido encontrou confluência em sua luta. “O combate à corrupção é um item muito caro do nosso programa, e encontramos um parceiro em Protógenes, um servidor público que utiliza seu trabalho como policial para realizar a mesma luta. É um delegado que tem como sua ação mais conhecida a prisão de Daniel Dantas, que nem é a mais perigosa, mas trata-se de um policial que já combateu a máfia chinesa.” O dirigente esclareceu que nunca negou que se orgulharia muito de ter Protógenes entre os militantes do PSOL. “Mas nosso apoio a seu trabalho é desinteressado do ponto de vista partidário. Temos uma batalha comum, e queremos vê-lo executá-la dentro de sua profissão, queremos que ele seja aproveitado como o bom policial federal que é.”

Para Luciana, a presença do delegado no Estado tem uma simbologia especial. “Estamos numa luta forte no Rio Grande do Sul, que não é só do PSOL, mas da qual fomos precursores. Protógenes não se envolveu diretamente nessa questão, mas foi amigo, conselheiro. E, agora, pôde sentir em Lajeado a amplitude que as denúncias do PSOL tomaram.” Ruas lembrou que o convite da OAB ao delegado não é por acaso, mas serve como um desagravo ao trabalho de Protógenes e do juiz De Sanctis, que obriga novas reflexões sobre direito e processo penais e suas aplicações no que tange ao “crime de colarinho branco”. “Falo como advogado que nossa relação e poder contar com a presença é motivo de orgulho”, disse ao delegado.

Factóides

Após ouvir as declarações, Protógenes falou um pouco de seu trabalho e conversou com militantes e jornalistas. Ele contou que atualmente responde a quatro processos decorrentes da Operação Satiagraha, que comandou na PF e resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. “São uma ação penal, um inquérito policial – do suposto grampo clandestino – e dois processos administrativos por manifestações públicas, inclusive uma aqui em Porto Alegre, quando participei de um ato contra a corrupção ao lado da deputada federal Luciana Genro, que na época concorria à prefeitura. Agora, há uma quinta investigação, que soube pela imprensa, para investigar supostas espionagens a autoridades. É um absurdo, não existe nada disso.”

O delegado afirmou que tudo isso não passa de factóides para facilitar a defesa de Dantas. “Espero que esses factóides não sirvam para dar a absolvição ao banqueiro e sua quadrilha, já condenados há 10 anos e prisão e multas milionárias. Pois não há nada que sustente contra mim, tantos processos sem sentido, para tirar o foco do verdadeiro bandido é até um desrespeito ao contribuinte.” Protógenes lembrou que é ação que o banqueiro realiza é grave, já que visava à privatização de diversos setores importantes, e pelos quais a população já paga impostos. Ele entende que as descobertas da Satiagraha devem, sim, vir a público, pois é preciso prestar contas à sociedade.

Sintomas que indicam corrupção

“Em 10 anos de Polícia Federal, investiguei vários casos de corrupção na esfera pública. Está na hora de agirmos. Os homens de bem têm que ocupar os cargos públicos, pois são maioria e devem ocupar esses espaços”, apontou o delegado. “Aqui em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, o PSOL é autor das cobranças à administração pública, porque constatou falhas nos serviços prestados à população, na segurança, na educação. E esses sintomas são indícios de corrupção.”

Ao final, Protógenes ouviu relatos de um dos exemplos que ele citou ao criticar as privatizações: o pedágio. Um grupo de moradores da Região Metropolitana contou que sofre processo por se recusar a pagar as tarifas, pois entende que o pedágio é um cerceamento ao direito constitucional de liberdade de ir e vir, com que o delegado concordou. Protógenes também fez questão de assinar o abaixo-assinado contra a demissão da ex-diretora de Qualidade da Agergs – Agência de Regulação do Rio Grande do Sul Denise Zaions, que, mesmo concursada, sofre ameaças por ter denunciado irregularidades na entidade.