Luciana Genro

PSOL sustenta luta para derrubar governo tucano corrupto

02 de março de 2009 18h12

No Rio Grande do Sul, nosso partido, o PSOL, está no olho do furacão da luta política pela derrubada de um governo burguês marcado e caracterizado pela corrupção generalizada. Embora não tenhamos mobilizações sociais ainda em curso, há uma demanda democrática na sociedade e atores políticos dispostos a defendê-la. Trata-se de um movimento democrático, onde buscamos aliados e apoio entre todos os que não aceitaram ou não aceitam mais a continuidade de um governo desse tipo.

Faz meses que temos trabalhado para conquistar apoios para essa política e provas de nossas convicções. Atuamos com audácia e sem sectarismo, reconhecendo o valor de todos os que rejeitaram e repudiam a corrupção do governo. Por isso, por exemplo, aplaudimos quando a Polícia Federal realizou a operação que descobriu a fraude do Detran – mais de R$ 40 milhões roubados dos cofres públicos pela máfia que governa o Estado. Por isso, apoiamos de modo decisivo a CPI do Detran, embora não tenhamos nos conformado com seu final nem com a posição da bancada da oposição na Assembléia, comandada pelo PT, que não convocou a população para pressionar pela continuidade das investigações.

Reconhecemos também desde o início o papel desempenhado pelo vice-governador Paulo Feijó, mais concretamente a partir do momento em que teve a coragem de revelar as gravações de sua conversa com Buzatto, ex-secretário de governo, feitas para denunciar a corrupção do núcleo de governo de Yeda Crusius. Entre outros, nesta luta, temos contado com a independência do Ministério Público de Contas dirigido pelo procurador Geraldo Da Camino. Foi aí que recorremos sempre para apresentar nossas denúncias, porque confiávamos que o procurador Da Camino não aceitaria pressões dos poderosos de plantão.

Agora, estamos num momento decisivo. Como sabe toda a sociedade gaúcha, o núcleo dirigente de nosso partido decidiu apresentar novas e definitivas denúncias. Numa coletiva de imprensa, apresentamos fatos graves que ocorreram (caixa dois, desvio de recursos públicos, compra da mansão da governadora com dinheiro ilegal etc) e que provam o que temos sustentado: o caráter não apenas antipopular mas corrupto do governo. Foi uma coletiva feitas às vésperas do Carnaval, mas que teve sua urgência imposta pela tragédia da morte misteriosa de uma das principais testemunhas – o senhor Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo Yeda Crusius em Brasília – que iria corroborar na Justiça as denúncias que trouxemos a público. A cobertura de nossa coletiva foi enorme. Todos reconheceram imediatamente a gravidade das denúncias. A imprensa nacional, em particular a Folha de S. Paulo, deu destaque para o assunto. No mesmo dia da entrevista, o governo fez uma declaração de apenas uma linha, refutando nossas acusações. A nota lacônica do governo, depois de uma reunião de quatro horas às portas fechadas, era um claro sinal de que o governo tinha sido posto na defensiva. Infelizmente, uma parte da imprensa gaúcha começou cedo a dizer que nossas acusações poderiam não ser verdadeiras já que, afinal, não apresentamos as provas. Alguns tentaram questionar nossa responsabilidade e passar a idéia de que o mandato de nosso vereador Pedro Ruas e nossa deputada federal Luciana Genro estavam em questão. O PSDB nacional chegou ameaçar ir ao Conselho de Ética contra Luciana. Nos dias seguintes, a própria governadora faria acusações levianas aos líderes do partido.

No dia de hoje, o governo estadual anunciou uma série de medidas que supostamente atendem reivindicações de obras e melhorias salarias de alguns setores do funcionalismo. São obras requentadas. Novas mentiras. Não há nada desse governo que de fato melhore o Rio Grande. O trabalho central de sua cúpula é como escapar da Justiça e ocultar o assalto aos cofres públicos. Ademais, sua política de déficit zero tem sido na verdade o abandono da saúde, da educação e da segurança pública.

O jornal Zero Hora de hoje informa a nova tática do governo estadual depois de ficar totalmente atordoado com as denúncias do PSOL. “Enquanto o Piratini reage no plano administrativo, a executiva nacional do PSDB se reúne na quarta-feira em Brasília para discutir formas de blindar a gestão de Yeda. Entre as medidas em debate, está a presença mais frequente no Estado dos candidatos à presidência José Serra e Aécio Neves, deputados e senadores tucanos.” O jornal ainda completa: “Segundo o deputado federal Claudio Diaz, vice-presidente nacional do partido, o objetivo é estabelecer um plano de contra-ataque à oposição. Partidos e sindicatos foram responsáveis nas últimas semanas por uma campanha de outdoors contra Yeda e divulgação de suspeitas sem provas sobre supostas irregularidades cometidas pela governadora na campanha eleitoral de 2006 e depois da posse.”

Por meio desta nota, em nome do PSOL, informamos de modo simples nossa política: reafirmamos nossas denúncias. Reafirmamos uma por uma. Todas elas. Estamos no centro do ringue. Os que tentaram passar a idéia de que nossas denúncias são falsas estão perdendo força. A população apóia nossa causa, uma causa do povo. Os corruptos e mafiosos que comandam o Rio Grande não tiveram nem mesmo a coragem de nos processar. Sabem que não somos nós os que estão em dívida com a Justiça. Todas as provas estão já em poder do Ministério Pública Federal e da juíza Simone Barbisan. Apontamos desde o início onde elas foram entregues. Nossas denúncias, portanto, estão sim comprovadas. Basta que se revele a documentação em mãos do poder público judicial.

Nosso partido defende a mobilização popular. Defendemos que a população se organize democraticamente para defender os interesses públicos do Rio Grande. Isso passa por derrubar a máfia instalada no Palácio Piratini. Por isso, nos dirigimos na semana passada para reivindicar do presidente da Assembléia Legislativa o andamento de nosso pedido de impeachement. Estamos convencidos de sua necessidade. Queremos convencer toda a sociedade gaúcha.

Não poderíamos, finalmente, deixar de mencionar o orgulho que temos em contar com porta-vozes tão sérios, competentes, corajosos e comprometidos com a luta do povo como Luciana Genro e Pedro Ruas. Ambos demonstram que a voz de nosso partido não será calada. Convocamos a sociedade a se mobilizar, a se organizar para defender os interesses públicos do Rio Grande. A queda desse governo antipopular e corrupto será uma vitória democrática contundente. E somos confiantes nessa luta. A sociedade sairá desse confronto com mais cultura democrática. Nosso partido no Rio Grande sairá muito mais forte.

Roberto Robaina, presidente do PSOL no Rio Grande do Sul