Luciana Genro

O fim do sigilo mostrará a corrupção

25 de março de 2009 16h31

Luciana Genro

Este espaço publicou artigo de ex-ministro da Justiça do governo Sarney sobre a grave denúncia feita por mim, pelo vereador Pedro Ruas e pelo presidente do PSOL, Roberto Robaina. Chega a dizer o jurista ligado ao PMDB que ilações poderiam ser feitas pelo fato de a denunciante ser filha do ministro da Justiça, e pergunta como se obtém acesso a assuntos sob apuração sigilosa na Polícia Federal. Repetindo a manobra de questionar a legitimidade da denúncia ao invés de ir ao seu conteúdo, demonstra, entretanto, total desconhecimento sobre o assunto.

Não sabe que há muito tempo a PF terminou seu trabalho investigativo, que, inclusive, subsidiou a CPI do Detran. Esta CPI remeteu suas conclusões ao Ministério Público Federal e recomendou a este a continuidade das investigações. O MPF acabou fazendo um acordo de delação premiada com o senhor Lair Ferst, que entregou provas e deu depoimento incriminando a governadora Yeda, seu marido e vários secretários (muitos já ex-secretários) na fraude do Detran e no desvio de recursos da campanha eleitoral para comprar a casa da governadora. Esse acordo, que possibilitou a obtenção das provas a que nos referimos, foi feito entre Lair e o Ministério Público Federal, homologado pela juíza Simone Fortes, da Comarca de Santa Maria, e passou longe da Polícia Federal. Quem nos ataca para defender Yeda Crusius deveria ao menos saber disso. Aliás, a PF está tentando obter essas provas junto ao MP para que possa fazer, a pedido do Ministério Público Eleitoral, uma investigação das nossas denúncias no que diz respeito a caixa 2. Como o processo está protegido pelo “segredo de Justiça”, ninguém confirma ou desmente as nossas denúncias, dizem apenas que não tivemos acesso aos autos do processo.

O caso é grave, e por isso não nos conformamos com este “segredo” imposto pela Justiça e viemos a público contar o que sabíamos. A morte misteriosa de Marcelo Cavalcante, que estava prestes a dar um depoimento confirmando as informações já prestadas por Lair Ferst foi a gota-d’água. Até agora não foi descartada, pelo delegado da Polícia Civil do DF, a possibilidade de homicídio e muito menos de um suicídio fruto de pressões brutais para que ele não falasse. Nós dissemos, e foi confirmado pela família de Marcelo, que a governadora esteve oferecendo um novo cargo ao seu ex-assessor poucos dias antes de sua morte. Mas a maior prova de que falamos a verdade é que a governadora, supostamente caluniada pelo PSOL, não pediu a quebra do segredo de Justiça. É ela, e todos os que querem proteger os corruptos e seguir com o desmonte do Estado, que torce para manter o sigilo desse processo. Assim, Yeda pode seguir “arrumando a (sua) casa”. O PSOL não aceita esse escândalo. Cumprimos nossa obrigação de dizer onde estão as provas do assalto aos cofres públicos. Cabe à Justiça prender os ladrões.