Luciana Genro

Gabinete integra Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino

09 de janeiro de 2009 15h02
Vereadora Fernanda participou da reunião (Hugo Scotte)

Vereadora Fernanda participou da reunião (Hugo Scotte)

Na manhã desta sexta-feira, 9, diversas entidades se reuniram para reagrupar o Comitê de Solidariedade ao Povo Árabe-Palestino, formado por diversos partidos de esquerda, centrais sindicais e demais organizações que desejam uma cultura de paz na região da Faixa de Gaza. O PSOL integra o grupo e esteve presente na reunião, representado à mesa pela vereadora Fernanda Melchionna. A presidente regional da Sociedade Árabe-Palestina, Fátima Ahmad Ali, saudou a presença de judeus no encontro como a confirmação de que se busca, em verdade, a coexistência religiosa no território.

Fátima lembrou que morrem entre 10 e 15 palestinos em conflitos todos os dias. Eles são 9 milhões espalhados pelo mundo. Quase 5 milhões vivem refugiados em acampamentos por diversos países. Os outros 4 milhões estão na Palestina, sendo que 1,6 milhão vivem em áreas israelenses, nas quais o governo não permite obras de infra-estrutura, e 1,5 milhão estão na Faixa de Gaza, que concentra a maior densidade populacional do mundo (4 mil habintantes por quilômetro quadrado). Isso ocorre porque a Palestina ocupa hoje apenas 17,2% de seu território original. Após sua fala, representantes de centrais sindicais foram ouvidos e foi proposto o boicote a produtos israelenses.

Fernanda prega fim do acordo comercial entre Israel e Mercosul

A vereadora Fernanda defendeu que os integrantes do Comitê ocupem todos os espaços possíveis para explicitar que a luta dos palestinos é contra o imperialismo, já que trata-se de uma batalha desigual: o exército israelense – quarto maior do mundo – contra uma população oprimida. “O que existe é um genocídio, uma punição coletiva, um apartheid contra os palestinos. Israel é uma representação do imperialismo americano no Oriente Médio. Na posse da Câmara Municipal, eu e Pedro Ruas levamos uma faixa de protesto contra o massacre, pois temos que utiizar todos os espaços públicos possíveis para divulgar fatos omitidos na grande imprensa.”

A parlamentar parabenizou o presidente Chavez, da Venezuela, pelo fechamento da embaixada israelense no país e chamou as demais nações latino-americanas a fazer o mesmo. “A luta por uma política de paz deve se refletir no processo econômico também”, disse, lembrando que o Mercosul tem um acordo comercial com Israel, que deve ser revisado. O presidente da Federação Palestina do Brasil, Ellayan Taher Alladin, concordou: “Não se deve comercializar produtos que trazem o sangue dos palestinos.”

Confira a ata do encontro:

Companheiros,

Após a produtiva reunião de hoje pela manhã, repasso as deliberações tomadas pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino tomadas pelas entidades presentes:

* A retomada do Comitê de Solidariedade será oficializada em ato público, dia 13 de janeiro, às 10h, no plenarinho da Assembléia Legislativa. Após, haverá caminhada até a Esquina Democrática, onde as entidades presentes e a comunidade árabe-palestina no RS farão ato de repúdio à invasão israelense e ao genocídio que hoje acontece na Palestina;

* O Comitê de Solidariedade constituído é suprapartidário, intersindical, interreligioso e multirracial, aberto a todos os defensores da paz e àqueles que lutam contra o imperialismo mundial;

* O que acontece na Palestina, a despeito do que preconiza a mídia oficial não pode ser chamado de guerra, mas sim massacre de uma população civil desarmada, a população palestina, pelo quarto maior exército do mundo. A isso se chama genocídio;

* Para burlarmos o boicote da grande mídia às informações verdadeiras sobre as agressões israelenses, contaremos com outros meios de comunicação: internet, jornais sindicais, panfletos. Esses meios serão fundamentais para alertar o povo sobre as atrocidades cometidas pelo exército de Israel contra a população palestina;

* Finalmente, o massacre que ocorre na Palestina não pode ser caracterizado como uma disputa racial ou religiosa. Não são judeus contra árabes, mas sim o imperialismo representado por Israel e sustentado pelos EUA e outras potências contra um povo que resiste a esse império.

São bandeiras de luta:

1) A luta pela imediata retirada das tropas israelenses do território palestino;
2) O imediato reconhecimento do Estado Palestino;
3) O boicote aos produtos israelenses (A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o “made in Israel” para driblar a repulsa mundial, mas têm o código de barras iniciado com o número 0729);
4) Rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Israel;
5) Não ao acordo Mercosul/Israel;
6) Responsabilização pelas atrocidades cometidas por Israel.

Entidades e autoridades participantes:
Centro Brasileiro de Defesa da Soberania dos Povos e Luta Pela Paz – CEBRAPAZ, Federação das Associações Árabe-Palestinas do Brasil – FEPAL , Sociedade Árabe-Palestina do RS – SOPAL, PSOL, PCdoB, PCB, PSTU, , Mov. Avançando Sindical, Juventude Avançando, Comitê pela Libertação da Palestina, União da Juventude Socialista, União da Juventude Comunista, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Sociedade Palestina, SEMAPI, CUT/RS, CTB/RS, CONLUTAS/RS, OAB/RS, SINDIPETRO/RS, Associação Cultural José Martí, Associação de Médicos e Amigos de Cuba, Deputada Federal Manuela D’ávila, Deputado Estadual Adão Villaverde, Vereadora Fernanda Melchiona, Gab. Luciana Genro, Gab. Marisa Formolo, Gab. Raul Carrion, Gab. Maria do Rosário, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, União das Associações de Moradores de Porto Alegre, Corrente Prestista, Clube de Cultura, Sindicato dos Assistentes Sociais.