O ex-candidato à Prefeitura de Maquiné pelo PP, Silvano Bopsin, foi denunciado por um trabalhador, um indígena Guarani recentemente resgatado de trabalho análogo à escravidão na fazenda do político, por fazer graves ameaças após o caso vir à tona. A vítima relata que passou a sofrer represálias e ameaças de morte logo depois de denunciar o crime e ser resgatado ao lado de outros nove homens. Diante da extrema gravidade e do risco iminente, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) acionou com urgência o Ministério Público do Trabalho (MPT), exigindo a apuração imediata dos fatos e medidas rigorosas para garantir a proteção e a vida do trabalhador.
“É inadmissível que vítimas de trabalho análogo à escravidão, depois de enfrentarem condições degradantes e violações de direitos, ainda tenham que conviver com o medo por denunciar os responsáveis. Quem tem a coragem de romper o silêncio e falar contra os seus algozes precisa da proteção do Estado”, pontuou a deputada. “Nosso mandato seguirá acompanhando o caso para garantir que as denúncias sejam apuradas, que a vítima seja protegida e que ninguém seja punido por ter tido coragem de buscar justiça”, garantiu.
Considerando-se o histórico de represálias frequentemente enfrentadas por denunciantes em casos de trabalho escravo contemporâneo, no ofício encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, Luciana Genro solicita a apuração das ameaças e a avaliação da necessidade de adoção de medidas mais rígidas de proteção ao trabalhador. O mandato também orientou a vítima a registrar boletim de ocorrência e, através desse, formalizar os fatos perante a Polícia Civil.
Para Luciana Genro, o combate ao trabalho escravo contemporâneo exige não apenas a responsabilização dos envolvidos, mas também medidas que impeçam a continuidade dessas práticas. “Por isso, sou autora do Projeto de Lei 50/2021, que determina que empresas que se beneficiam do trabalho análogo à escravidão e do trabalho infantil tenham sua inscrição cancelada e que seus sócios responsáveis fiquem impedidos de exercer atividade no mesmo ramo por cinco anos”, destacou.
A deputada ainda reforçou que o enfrentamento ao trabalho escravo não termina com o resgate das vítimas. “Também é dever do poder público assegurar que trabalhadores que colaboram com as investigações possam exigir seus direitos sem sofrer represálias, garantindo que denúncias como essa não sejam silenciadas pelo medo”, finalizou.