Luciana Genro

Caros amigos traz artigo de Maria Lúcia Fatorelli‏

08 de agosto de 2011 09h33

O Portal da Revista Caros Amigos traz artigo de Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, que mostra as causas da crise da dívida dos EUA: o salvamento trilionário de bancos falidos. Este salvamento foi financiado, em grande medida, pelo endividamento público, ou seja, o povo paga a conta da crise gerada pela irresponsabilidade dos próprios bancos.

Além do mais, o governo tomou tais empréstimos dos próprios bancos que foram salvos, ou seja, estes últimos, de uma situação de falência, foram transformados em credores do Estado.

Esta idéia de fazer o setor público salvar os “mercados” já é vista por estes últimos como algo totalmente natural e desejável, o que além de mostrar a total falta de ética do setor financeiro, prova também a falácia dos argumentos neoliberais, de que os “mercados” deveriam ser deixados livres.

Neste sentido, o jornal Estado de São Paulo traz notícia com o título: “Investidores temem que Estado não consiga salvar economia”, citando que “investidores temem não poder contar com recursos públicos em quantidade suficiente para acalmar os mercados.”

Portanto, na realidade, a verdadeira função do Estado no neoliberalismo não é deixar a economia livre, mas sim, fazer os rentistas ganharem sempre, às custas do povo.

E não são somente os trabalhadores dos EUA que pagam esta conta. O povo brasileiro também, pois o governo brasileiro tem feito mais dívida interna – que paga os maiores juros do mundo – para comprar centenas de bilhões de dólares para compor as chamadas “Reservas Internacionais”. Estas são aplicadas principalmente em títulos do Tesouro dos EUA, que não rendem quase nada e ainda financiam esta política de salvamento de bancos falidos e também a máquina de guerra estadunidense. Outra notícia do Jornal Estado de São Paulo mostra que até mesmo o ex-presidente Lula reconheceu que “Título dos EUA rende merrequinha de juros”, e defendeu que nossas reservas sejam aplicadas em projetos de infra-estrutura na América Latina.

Sobre esta declaração de Lula, cabem dois comentários: em primeiro lugar, é interessante constatar que finalmente o ex-presidente Lula reconhece como válidas as críticas feitas há anos pela Auditoria Cidadã da Dívida. Em segundo lugar, cabe ressaltar que muitos dos atuais projetos de infra-estrutura atendem a interesses de grandes empresas, e não das populações latino-americanas.

Fonte auditoriacidada@terra.com.br