Luciana Genro

“Não basta apenas não ser racista. É preciso ser antirracista!”

Mais de 300 anos de escravização do povo negro deixaram em nosso país profundas marcas. Não houve, pós escravidão, nenhum tipo de política social que inserisse igualmente negros e negras na sociedade. Isso marca estruturalmente o Brasil e se expressa na desigualdade, no preconceito, na invisibilidade da memória e da resistência do povo negro. Foi uma abolição pela metade.

Precisamos que o estado esteja comprometido com políticas de ações afirmativas para reparar a desigualdade histórica em todas as áreas e com a educação antirracista para combater o preconceito e impedir que se propague.

O Atlas da Violência de 2018, elaborado pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou a violência dramática que assola o país: foram 62,5 mil assassinatos em 2016, um patamar 30 vezes superior ao da Europa. E quem mais morre é a população negra: 71,5% das pessoas assassinadas no Brasil são negras ou pardas. E 53,7% são jovens entre 15 e 29 anos. Diante desta realidade, é preciso que as pessoas não-negras se somem urgentemente à luta antirracista. Como disse Angela Davis: “Não basta apenas não ser racista. É preciso ser antirracista”.

Para modificar essa realidade de desigualdade social, é preciso investir e garantir iniciativas reais de acesso à educação e cidadania. Nesse sentidoa ONG Emancipa – Educação Popular, fundada por Luciana Genro, oferece um cursinho pré-universitário gratuito a jovens de baixa renda. O Emancipa desenvolve ainda projetos sociais de inclusão através do esporte, de alfabetização de jovens e adultos e de formação feminista e antirracista em Porto Alegre, Gravataí, Novo Hamburgo, Charqueadas e Pelotas. Luciana também fundou a Casa Emancipa Restinga, que desenvolve projetos culturais, esportivos e oficinas antirracistas no bairro da Restinga, em Porto Alegre – uma região extremamente empobrecida e de população predominantemente negra na periferia da cidade. No próximo ano Luciana vai criar, junto com Carla Zanella, ativista do movimento negro, o Emancipa Negritude, para desenvolver políticas específicas aos negros e negras.

Defesa e ampliação das políticas de ações afirmativas

A política de ações afirmativas deve ser defendida e ampliada em concursos públicos e processos seletivos. Assegurar que a população negra tenha oportunidade de acesso à educação e ao trabalho é um passo fundamental na garantia de seus direitos, na luta por igualdade e no resgate da dívida histórica que o Brasil possui com a negritude. Quando era deputada federal, Luciana Genro votou a favor do Prouni e das políticas de ações afirmativas e vem apoiando as lutas do movimento negro para assegurar respeito à política de cotas, como no caso da ocupação da reitoria da UFRGS.

Defesa do Estado laico e das religiões de matriz africana

Na campanha presidencial de 2014, Luciana Genro defendeu o Estado laico, conforme prevê nossa Constituição: “Isso significa que nenhuma religião deve interferir na elaboração de políticas públicas”, disse Luciana inúmeras vezes ao longo da campanha. A defesa de um Estado laico serve como forma de proteger o livre exercício de qualquer religião. É preciso também lutar contra os ataques racistas que as religiões de matriz africana sofrem no Brasil e defender o direito da população negra a praticar seus cultos livremente.

O genocídio do povo negro precisa acabar!

Os dados apresentados no início desta página demonstram que a população negra é que mais morre no Brasil vítima de assassinatos. Especialmente os jovens negros e pobres. Cláudia Silva Ferreira, Amarildo e DG são apenas alguns exemplos conhecidos pelo grande público de um extermínio que ocorre todos os dias contra a população negra nas periferias das grandes cidades brasileiras. A vereadora Marielle Franco, que fazia de seu mandato um instrumento de transformação desta triste realidade, também acabou sendo vítima do extermínio que combatia.

Pouco antes de ser brutalmente executada, declarou em um evento com mulheres negras: “Quantos mais têm que morrer para essa guerra acabar?”. Um passo fundamental para inverter esta lógica é a luta por uma nova política de drogas no país, já que a guerra às drogas se transformou numa guerra aos pobres e fracassou no mundo inteiro.

—-> Quer saber o que mais defendemos para a negritude? Veja o programa completo de Roberto Robaina e da Professora Camila ao governo do estado!